domingo, 23 de setembro de 2018

Mostremos valor, constância!


   
       No dia 20 de setembro, no tradicional desfile de cavalarianos, ocorreu uma homenagem ao Sr. Mario Nei Brondani, responsável pela Escolinha de Laço Matheus Brondani e escolhido Patrono dos Festejos Farroupilhas do município de Bagé. Emocionando a todos que assistiam, durante a passagem dos integrantes da Escola de Laço foram mencionados os objetivos da criação da Escolinha, bem como alguns dos itens do currículo do Sr. Brondani.
      Pra quem não conhece, o trabalho consiste na iniciação e treinamentos em Tiro de Laço e demais lidas de campo, tradicionais no Rio Grande do Sul. A Escola foi criada em homenagem a Matheus Brondani - filho do Sr. Mario e de Ana Rosa Brondani, que infelizmente foi uma das vítimas do acidente da Boate Kiss, em Santa Maria. 
   Somente durante a Semana Farroupilha passaram aproximadamente 700 crianças pelo Parque do Gaúcho, onde ocorrem as atividades da Escola de Laço. Além do atendimento ao público, o Sr Brondani auxilia na preparação de Peões, Guris e Píás que participam do Entrevero Cultural de Peões. É extremamente satisfatório ver a força dessa família, que num momento de perda, reverte esse sentimento em ações que favorecem no crescimento das crianças e de adultos que também acompanham as atividades, unindo gerações e fortalecendo a convivência familiar.

Certamente, Matheus está orgulhoso de vocês!

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Paixão por Paixão - O que te CHAMA?


         
Everton Soares e Thaís Jacinto
Ando um pouco afastada mas quem é do meio sabe bem, como é setembro!  Eu poderia escrever muito, sobre a história, sobre a simbologia, sobre as personalidades importantes do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Mas, hoje, escolhi falar sobre energia.
         Eu faço parte do Movimento Tradicionalista há 12 anos, sou muito grata por tudo que aprendi e principalmente pelas pessoas que conheci, as histórias que tive a oportunidade de vivenciá-las ou ouví-las. Abri mão de algumas coisas (bastante) no decorrer desses 12 anos e continuarei, por mais 24, 36 ou 48 anos. Setembro, em particular já é nostálgico pra mim e aproveitando essa semana, quero pontuar algumas questões que são motivos essenciais para essa permanência.
            Tive (e tenho) uma base muito forte e o privilégio de aprender e ter meus mentores bem próximos a mim, pessoas exemplares, as quais eu escolhi (criteriosamente e em longo prazo) para compor minha família... família de coração, mas eu falo em coração mesmo. Conheci pessoas que estiveram dedicadas por muitas horas, a um objetivo coletivo, repetidamente - e aí chegamos no ponto que eu queria ressaltar -  por quê? O que  motiva cada passo no tablado? Conheci inúmeras prendas e conheço bem a caminhada dessas meninas, algumas se destacam por bons resultados no momento das provas, outras, pela essência, pela postura, pela conduta, pelo caráter. Se tem algo que reclamo, canso mas AMO fazer é estar perto de vocês. Aos leigos, beleza e simpatia. A nós, que temos ciência do caminho que vocês percorrem, nosso carinho e admiração.

Mariah e Miguel <3
    Nos últimos meses tenho acompanhado muitas prendas e peões, o que me fez permanecer mais perto do que eu gosto e acreditar um pouco mais em valores que os adultos vem deixando de lado. Eles falam em valores e princípios e muitas vezes não percebem o que, de fato, estão ensinando aos pequenos. 
       Mas, surpreendentemente, é com eles que a gente aprende mais, com menos experiência, sem tanta instrução, mas com amor, com essência verdadeira.Chegamos a um ponto, onde o resgate é outro. 
     As pessoas nos perguntam se estamos prontos para a Semana Farroupilha e a gente até responde, sem graça, que sim. Mas na verdade, nós não paramos! E nesse ritmo de janeiro a janeiro, porque nós escolhemos assim!  Setembro passa voando e quando percebemos já acabou. 
       A quem teve interesse e paciência de ler até aqui, eu peço atenção às crianças, aos novos adeptos, para que a nossa cultura, a nossa história e nosso povo não sejam admirados somente na Semana Farroupilha. Como venho enfatizando em minhas últimas postagens, “SEJAMOS CONSTANTES”. O Movimento merece, as crianças merecem, nós, merecemos!

O que te move? O que te CHAMA? Essa geração teve o privilégio de conhecer o legado de Paixão Cortês, ainda em vida. É nossa responsabilidade, agora, transmitir toda essa energia, essa paixão, às próximas gerações!
         


sábado, 25 de agosto de 2018

Debate e mais aprendizado no dia do Folclore

          No dia 22 aconteceu o 2º Fórum de Folclore e Cultura: fatores de desenvolvimento social, no C.T.G. Prenda Minha, em Bagé. O evento contou com a participação das quatro entidades bageenses - C.T.G. Sentinela da Fronteira, C.T.G. Prenda Minha, C.T.G. Pampa e Minuano e G.A.N. Capo Aberto - e ainda, do C.C.T.G. Lila Alves, de Pinheiro Machado e do C.T.G. Herança Paternal, de Dom Pedrito.
         Durante a noite foram apresentadas representações de lendas conhecidas do povo gaúcho, houve a Palestra sobre o tema central, com Rogério Bastos e em seguida o Fórum, com tradicionalistas locais. No debate, foram colocados em pauta, temas corriqueiros dos tradicionalistas, mas que merecem um pouquinho de reflexão, como por exemplo, a mudança dos valores que precisam ser resgatados, pois em 47, vivia-se em um contexto diferente de hoje.
           O evento foi organizado pelo jovem Eduardo Gusmão e pela Laura Berdet - Primeira Prenda da 18ª R.T., jovens extremamente ativos no Movimento e, ambos, do C.T.G. Prenda Minha.
Foto: Lauren Xavier dos Santos
      
       Inclusive, já vale registrar, que na semana passada, a prenda Laura, recebeu um prêmio de reconhecimento, pela Câmara Municipal de Vereadores de Bagé.

"Muitas vezes questionei em como seria a prenda que eu gostaria de ser, e eu nunca soube descrever… Após viver uma Ciranda Cultural de Prendas Regional, e de conquistar o título de 1ª Prenda da 18ª Região Tradicionalista, posso afirmar que todo o esforço e dedicação que tive, hoje é reconhecido e recompensado. No dia 16 de agosto, tive a honra de representar a juventude tradicionalista recebendo a Medalha de Honra e Mérito - Destaque Jovem. Não fui a única homenageada da noite, pois este evento homenageia todos os jovens que se destacaram em algum momento, e isso se torna ainda mais importante por ver que a nossa cidade também se preocupa com a juventude", destacou Laura.

         E os eventos continuam, no início de setembro já está marcado outro evento, também com foco na juventude, na cidade de Dom Pedrito, mas falarei melhor, a respeito, durante a semana.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

“Com a força do pensamento”


       Em função da pouca (ou  nenhuma) formação escolar, o homem da campanha sempre teve suas crenças, seus temores e suas formas de alcançar seus objetivos, através das forças divinas ou até mesmo na busca da cura. Mas a inteligência natural da gente da terra supria a incultura com sua espontaneidade no trato da matéria espiritual.
       Dessa forma, deve haver um aproveitamento dos motivos folclóricos chegados até os nossos dias, e ainda, um intenso trabalho de conservação a sua forma tradicional.

[Fragmentos da obra FOLCLORE GAÚCHO: festas, bailes, músicas e religiosidade rural - J. C. Paixão Côrtes]

Foto: Paulo Renan Montiel


        No mês do folclore trarei algumas manifestações culturais que enfatizam o folclore. As temáticas dos grupos artísticos estão cada vez mais elaboradas e ricas, no que se refere a exploração de aspectos culturais. Dessa forma, através dessas manifestações, se torna  possível que as pessoas conheçam um pouquinho do folclore e da história do Rio Grande do Sul.
      Conversei com o Roger Soares Lemes, ele é responsável pela temática da Invernada Adulta do CTG Camaquã, que na Inter-regional do ENART, de 2018, apresentará o tema “Benzeduras, uma fusão de fés em torno da reza brava no RS”.

Foto: Deivis Bueno

 "Essa ideia surgiu por querer homenagear pessoas humildes que prestam esse serviço que é curar os males do dia a dia. Todos nós algum dia fomos carregados pelas mãos de nossos pais e avós ao encontro de uma pessoa, que com coisas simples do dia como brasa, carvão, arruda, tesoura, linha, agulha, etc., e com a reza sempre em Deus aliviou algum mal olhado, alguma espinhela caída, quebranto ou encalho” destaca, Roger.

            Durante a pesquisa, conversou com diversas benzedeiras e benzedores, bem como consultou vídeos e documentários, já que a bibliografia a respeito, não é muito abrangente.


Blog: Como foi a receptividade do grupo?
Roger: A temática foi apresentada ao grupo na festa de confraternização na cidade de Arambaré em fevereiro deste ano. Antes de mostrar o tema e a primeira música que já havia sido feita, fiz uma longa conversa falando de Deus e de fé. Temos no grupo uma variedade grande crenças e credos e até alguns ateus. Fizemos uma ampla discussão acerca deste assunto... Fé! Sempre acho importante quando vamos abordar esses temas que envolve algum tipo de religiosidade, deixar todos a vontade para aceitar ou não a participação deles.
         Imediatamente na abertura, todos gostaram e partimos para um segundo momento junto com o coreografo que era definir a trilha dentro do tema. Muitas vezes bons temas podem se perder por não achar o caminho certo. Numa temática como esta, temos muito o que falar, mas temos que entender o que falar e o que é importante mostrar no nosso enfoque.



            Sobre a coreografia de entrada, Roger enfatiza como ocorreu a formação dessa prática que é a conjunção de povos, os beneditinos (significa bem dizer) da Europa trouxeram seus defumadores e incensos para tirar os males do demônio, os pajés indígenas aqui também já benziam através dos seus cachimbos e a fumaça curava as angústias e então com o povo vindo da África e seus defumadores de barro formamos uma mistura de deuses, santos e orixás para ajudar nesta reza brava.
Foto: Wagner Zacher
        
            Na coreografia de saída contam a história das benzedeiras e benzedores propriamente ditos, mostrando um pouco dessa prática, mostrando a humildade desses bem feitores e como ocorre o processo da cura, através da energia, crença e fé.
Foto: Paulo Renan Montiel

           
A letra das músicas foi desenvolvida pelo Roger Lemes, com música de Alexandre Souza, de Rio Grande. As coreografias são de autoria do coreógrafo Ederson Vergara, que segundo Roger, desenvolveu um trabalho magnífico, atendendo ao pedido de não usar alegorias, mas, somente acessórios de mão.
          Os figurinos foram amplamente discutidos pelo grupo, que desenvolveu internamente todas as peças e ideias, buscando referências em Monges Europeus, Índios que habitaram o RS e a região onde hoje é Camaquã, e ainda, de roupas Africanas. No figurino de saída foram representadas, as várias formas de benzedores, tentando mostrar o universo das diversas personalidades e crenças que estas pessoas têm.

         Roger destaca ainda, que essa temática é, também, uma homenagem ao seu avô Alcides Soares e a sua mãe Cleni Soares que de geração em geração vem passando o legado que é ajudar pessoas com o poder da oração e a força das ervas.


Pesquisa: Roger Lemes
Poesias: Roger Lemes
Melodias: Alexandre Souza
Coreografias: Ederson Vergara
Figurinos e Adereços: Mariana Roloff e grupo
  


Fica o nosso carinho aos benzedores e benzedeiras do Rio Grande do Sul e a torcida pelo grupo do Centro de Tradições Gaúchas Camaquã – 16ª R.T.